segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Nenhum candidato poderá prescindir da internet em 2010

José Serra

Entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, em 24/08/2009

Para o governador, a legislação eleitoral brasileira ainda é muito restritiva em relação a campanhas na web

São duas horas da madrugada. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), deixa de lado os jornais, liga o aparelho de som e espera o sono vir com os Beatles ao fundo. A cena da intimidade de um dos possíveis candidatos à Presidência da República em 2010 foi registrada por ele mesmo em seu microblog na rede Twitter. "Vim dormir. Ia ler o clipping da imprensa da semana, mas desisti. Preferi ouvir o Abbey Road inteiro dos Beatles e zapear na TV sem som", escreveu na noite de 13 de julho.

Serra é hoje o mais popular político do Twitter, com 71 mil seguidores, que acompanham em tempo real os passos do tucano. Aos 67 anos, o governador paulista entrou para a turma dos internautas depois dos 60 anos e para a dos "twitteiros" há pouco mais de três meses. Em entrevista exclusiva ao Estado, ele fala do potencial da internet na eleição de 2010 e de sua experiência no mundo virtual.

Qual será o papel da internet nas eleições presidenciais de 2010?
Nas eleições de 2010, no Brasil, nenhum candidato poderá prescindir da internet na campanha, é evidente, mas a influência será muito menor do que nos Estados Unidos, porque somos muito menos conectados, nossa legislação eleitoral é mais restritiva, nossa campanha é muito mais curta do que a deles, que dura quase dois anos, contando com as primárias para a indicação do candidato do partido. Aqui, legalmente a campanha só começa na segunda metade de julho, e a eleição é em outubro.

Qual será o grande desafio das campanhas na web?
O grande desafio de campanhas na internet, que a de Barack Obama venceu com louvor, é transportar o ativismo e a militância do mundo virtual para o mundo real, para ações de visibilidade, para as ruas. Tenho dúvidas de que conseguiremos fazer já em 2010 essa passagem.

Como foi seu primeiro contato com a internet?
Aprendi na marra a usar a internet em 2003, quando passei uma temporada nos Estados Unidos, no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, depois de perder as eleições presidenciais em 2002. Fui obrigado a me conectar para conversar com a família, com os amigos, para me manter em dia com as notícias do Brasil e do mundo, para não ficar isolado. Primeiro, aprendi a receber e a mandar e-mail; em seguida, a navegar pelo noticiário. Agora, sou o governador twitteiro e já ganhei até diploma de "especialização em relações twitteiras", do programa CQC, da TV Bandeirantes.

Para quais atividades o senhor utiliza a internet?
Até 2002, no Ministério da Saúde, costumava mandar bilhetinhos escritos à mão para a equipe, perguntando sobre esse ou aquele programa de governo, tirando dúvidas, cobrando essa ou aquela providência. Escrevia à noite e, de manhã, minhas secretárias recebiam uma caixa de papéis para distribuir. Hoje, envio e-mail para os secretários e assessores. Muito mais rápido e eficiente. Também leio notícias nos principais portais e em alguns blogs, escrevo artigos, discursos. Nunca consegui datilografar artigos. Fazia sempre à mão. Troco e-mails com meus filhos, com os amigos e uso para lazer, navego no YouTube para ver clipes de músicas, procurar trechos de filmes. Resisti muito a entrar, porque sabia que iria me viciar. Fraquejei, entrei e me viciei.

O sr. é o político mais popular do Twitter, com mais de 71 mil seguidores. O que tem achado dessa experiência?
Fui para o Twitter meio por acaso e por curiosidade. Uso muito a internet. Comecei a ver reportagens sobre o fenômeno do Twitter e as pessoas mais próximas me diziam que eu devia entrar lá. Nem sabia direito o que era, como funcionava, para que servia, quando abri a minha conta. Esta, aliás, foi a primeira dificuldade: descobri que meu nome e quase todas as variações possíveis já estavam registrados no Twitter, com a minha foto e tudo. Eram muitos perfis falsos. Entrei sem fazer alarde, sem contar para ninguém a não ser para o pessoal mais próximo do gabinete. Habituado a escrever artigos e textos mais longos, no início achei que não conseguiria dizer nada em 140 caracteres, que é o limite do Twitter. Aos poucos, estou aprendendo a ser sintético.

Como o Twitter tem ajudado o seu trabalho como governador?
Eles (internautas) me dão dicas, fazem sugestões, apoiam medidas do governo, elogiam, mas também criticam, cobram, reclamam de coisas que não estão funcionando direito. Repasso para todas as áreas do governo, cobro dos secretários, tiro dúvidas com eles, vejo se as reclamações procedem. Os mais acionados pelos meus seguidores e por mim são o Barradas (secretário da Saúde), o Paulo Renato (secretário da Educação), as áreas de segurança e de transportes. É aí que a internet é fantástica. Poupa tempo, aumenta a eficácia, abre um canal direto entre o governo e o cidadão, para o governante ouvi-lo, prestar contas em tempo real e até para corrigir medidas. Isso para um governante não tem preço.

O sr. também faz comentários pessoais...
Há o lado lúdico também. Quando disse lá no Twitter que gosto de cinema e de trabalhar ouvindo música, muitos seguidores passaram a me mandar dicas e links de canções, cantores, bandas, trechos de filmes. Também fazem muitas perguntas sobre a minha vida, o governo, o que eu acho disso e daquilo. Claro que não consigo responder tudo e fico até aflito, às vezes, mas sempre dá para conversar um pouco. De que outro jeito isso seria possível? Só no Twitter mesmo.C.F. e E.L.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A importância da enfermagem na saúde do Brasil

José Serra

Discurso na inauguração do CAPE - Centro de Aprimoramento Profissional de Enfermagem “Dra. Wanda de Aguiar Horta”, São Paulo, em 21/08/2009

É uma grande satisfação participar da solenidade de inauguração do Centro de Aprimoramento Profissional de Enfermagem (CAPE), cujo nome – Dra. Wanda de Aguiar Horta – homenageia uma das nossas mais importantes personalidades, na formulação teórica da enfermagem, no Brasil. A Dra. Wanda foi também uma grande mestra no ensino da enfermagem e contribuiu para a formação de centenas de profissionais da área, na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

O COREN –SP (Conselho Regional de Enfermagem) marca, assim, mais um tento, homenageando a dra. Wanda de Aguiar Horta e criando um centro que certamente será uma referência paulista no aprimoramento técnico e científico dos mais de 300 mil profissionais de enfermagem do Estado. O compromisso do COREN-SP com essa missão fica evidente até pelo fato de que os cursos ministrados no CAPE serão gratuitos, o que garante o acesso a todos os profissionais da área.

Gostaria de ressaltar que esta iniciativa é inteiramente coincidente com ações recentes do nosso governo, em busca da garantia de oferta de assistência de enfermagem com mais qualidade, entre as quais destaca-se o TecSaúde.

Chegada ao Ministério

Na verdade, minha atenção para com a enfermagem vem desde o período em que estive à frente do Ministério da Saúde, de 1998 até o início de 2000. Logo que cheguei ao Ministério, mesmo não sendo um profissional da área da saúde, percebi a importância da enfermeira, do enfermeiro e dos demais profissionais da enfermagem para a saúde no Brasil. Pude também compreender o processo de qualificação que estava acontecendo, com a substituição dos antigos atendentes de enfermagem pelos auxiliares e técnicos. Verifiquei, ainda, o crescimento da participação do enfermeiro.

Imediatamente, minha disposição como ministro da Saúde foi a de buscar contribuir com esse processo, acima de tudo, em reconhecimento ao papel fundamental da enfermagem, para a qualidade da atenção à saúde.

O PROFAE

Entendi que o desafio exigia uma ação de grande envergadura e foi assim que pensamos o PROFAE. Fomos, então, buscar financiamento no Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID. Tenho certeza de que o PROFAE muito contribuiu para o sucesso alcançado na qualificação da enfermagem no Brasil.

Sei que vocês conhecem esses dados, mas nunca é demais lembrar que, segundo um censo realizado pelo Conselho Federal de Enfermagem, o COFEN, e pela Associação Brasileira de Enfermagem, a ABEN, no ano de 1983, existiam no Brasil 194.154 atendentes de enfermagem, que correspondiam a 63,8% da força de trabalho da enfermagem. Já em 2008, os atendentes de enfermagem eram 35.141, correspondendo a apenas 3,1% da enfermagem de nosso país.

Nesse mesmo período, os auxiliares e os técnicos de enfermagem tiveram sua participação ampliada de 21,2% e de 6,5%, respectivamente, para 48,5% e 34,3%. De acordo com os mesmos levantamentos, os enfermeiros passaram de 25.813 (8,5%), em 1983, para 158.568, em 2008, o equivalente a 14,1% do total do pessoal de enfermagem. Por sua vez, a força de trabalho em enfermagem cresceu de 304.287 pessoas para 1.123.809 profissionais. São números que não deixam dúvidas sobre o crescimento e a qualificação ocorridos.

Seja ressaltado que a meta inicial do PROFAE previa a formação de 180 mil auxiliares e técnicos de enfermagem, o que foi amplamente ultrapassado. Para tanto, 319 escolas públicas foram mobilizadas, acolhendo alunos de 93% dos municípios brasileiros. Um outro resultado muito positivo foi que, ao lado das 26 Escolas Técnicas do SUS existentes nas regiões Norte e Nordeste, foram instaladas mais 11 Escolas.

Vale também destacar o crescimento do Brasil na oferta de vagas para a graduação em Enfermagem, chegando, segundo dados que obtive, a mais de 700 cursos em todo o país. Só em 2007, o Brasil formou mais de 32 mil novos enfermeiros. É preciso considerar que esses cursos se concentram na região Sudeste, onde está quase a metade deles (48,3%). E que em São Paulo são 164 cursos, entre os quais, 45 cursos de graduação na Capital.

Agora, à frente do Governo do Estado, dou continuidade ao projeto que iniciamos com o PROFAE, no Ministério da Saúde, implantando o programa que denominamos TecSaúde e do qual logo falarei.

Programa de Saúde da Família e combate à mortalidade neonatal

No Ministério da Saúde, também criamos novas oportunidades de trabalho para a enfermagem, com a ampliação e consolidação do Programa de Saúde da Família. Quando assumi o Ministério, eram 1.843 equipes em pouco mais de 600 municípios. No final de 2002, já eram mais de 15 mil equipes em mais de 4 mil municípios – o que abriu um novo mercado de trabalho para a enfermagem, que continua em expansão.

Lembro que fiquei muito impressionado, no Ministério, com os dados que recebi sobre os partos cirúrgicos e a mortalidade neonatal. Entre as medidas que tomamos para enfrentar esse problema, destaco a inclusão do parto realizado por enfermeiro-obstetra, na Tabela de Procedimentos do SUS, e também a instituição de um limite para a relação entre cesarianas e partos normais.

Nossa intenção foi fazer com que o parto fosse tratado, no sistema de saúde, como um fenômeno fisiológico, natural na vida da mulher, e não como uma doença a ser tratada cirurgicamente. Acho que, de lá para cá, o Brasil avançou pouco nesta questão.

O TecSaúde

Agora em São Paulo, damos o passo seguinte nessa grande empreitada iniciada com o PROFAE. Em dezembro último, instituímos o Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico Para a Área da Saúde – TECSAÚDE. Ele tem por meta formar 100 mil profissionais de saúde ao longo dos próximos três anos.

Deverão ser atendidos pelo Programa:
- os auxiliares de enfermagem, que buscam a complementação em nível técnico de sua formação;
- os estudantes do ensino médio e da educação de jovens e adultos, que desejam a formação em nível técnico nas áreas de saúde.

Ainda neste ano, o Programa começará também a oferecer cursos de especialização em nível técnico da área da enfermagem. Este Programa de Formação de Técnicos direciona-se àqueles profissionais que, cotidianamente, desenvolvem o contato mais intenso e freqüente com os usuários, sendo, portanto, fundamentais para a qualidade da assistência prestada.

É deles que depende, muitas vezes, a continuidade na atenção, a orientação dos pacientes, a administração de medicamentos e o manejo de novas tecnologias assistenciais, a gestão e organização das informações, bem como outras ações essenciais na prestação dos serviços. É deles a base e a sustentação para o cuidado humanizado e comprometido nos serviços de saúde.

O Programa atende à expectativa:
- de gestores do sistema de saúde e gerentes dos serviços;
- de trabalhadores envolvidos na assistência e preocupados com seu desenvolvimento profissional;
- e, principalmente, da população usuária, que passará a contar com um cuidado mais qualificado e competente.

Quero destacar que o COREN-SP tem sido um colaborador precioso e entusiasmado nesse projeto. Desde sua primeira hora – quando da discussão e definição da proposta ao apoio na inscrição de candidatos – ele tem dado contribuições decisivas, que agradecemos publicamente e fazemos questão de salientar.

Convergindo com esse esforço do Estado, o Coren-SP e seus parceiros – a ABEN-SP e as 40 Sociedades e Associações de Especialistas de Enfermagem, bem como os sindicatos da categoria – entregam aos enfermeiros, técnicos e auxiliares de todo o Brasil este Centro de Aprimoramento Profissional de Enfermagem – CAPE.

A área da saúde, ao mesmo tempo em que concentra um enorme contingente de postos de trabalho, é importante incorporadora de novas tecnologias. Atento a essas duas realidades, o CAPE contará com laboratórios de ponta para aulas práticas e capacidade para 580 alunos. Cada entidade parceira ministrará gratuitamente cursos e palestras – presenciais e a distância – sintonizados com as demandas do setor, notadamente da rede SUS.

Legado permanente do Coren-SP à educação profissional em nosso Estado e que tenho a honra e o orgulho de poder inaugurar, o CAPE é a outra face dessa mesma moeda de entusiasmo e compromisso com a formação de técnicos plenamente capacitados e o investimento permanente na qualidade dos serviços prestados à população.

Bem ao contrário daquele velho lugar comum segundo o qual “fulano não faz e não deixa que os outros façam”, o Coren-SP, na pessoa de seu presidente, apóia decididamente os que fazem, bem como faz a sua parte com dedicação e brilho.
Sou feliz testemunha disso. E, por isso, vim aqui agradecer-lhes e lhes dar o meu abraço. Parabéns a todos.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Respeito às diferenças: o Selo Paulista da Diversidade

José Serra

Discurso na cerimônia de entrega do selo, no Palácio dos Bandeirante, em 18/08/2009

O Selo que estamos entregando hoje chama-se da Diversidade. Mas, de fato, ele é o selo paulista da igualdade. Da igualdade de direitos; da igualdade do acesso ao trabalho, à educação, à saúde; da igualdade na consideração social.

Existe um aspecto da diversidade que é consensual. Trata-se da enorme contribuição que a multiplicidade de povos, tradições, hábitos, religiões trouxe à sociedade paulista.

Esse é, sem dúvida, um dos nossos maiores patrimônios, pois dá aos brasileiros de São Paulo uma ampla visão do mundo, facilitando nosso entendimento com o conjunto das regiões do Brasil e até das nações.

Mas diversidade não é apenas isso. Há também um outro lado que envolve aspectos mais profundos, os quais demandam a superação de preconceitos e o verdadeiro respeito à alteridade.

Ressalto que se trata de “respeito”, relativamente ao outro, e não de “tolerância”, porque “tolerar” significa “suportar”, ser indulgente”. E essas categorias são totalmente inadequadas quando o que está em jogo é a cidadania integral das pessoas.

Assim, então, uma política de efetivo reconhecimento da diversidade implica mudanças culturais muito significativas. E todos nós sabemos o quanto é árduo mudar padrões culturais.

Tenho a certeza, porém, de que essa dificuldade não intimida nenhuma das pessoas aqui presentes. Creio que até as fortalece. E por uma razão muito simples, que é a convicção que todos têm de estarem empenhados numa causa justa, equânime e urgente.

É, portanto, com muita satisfação que entrego, hoje, o Selo Paulista da Diversidade, na categoria “Adesão”, a 24 organizações, estabelecidas em nosso estado e comprometidas com a valorização da diversidade, particularmente no âmbito do mercado de trabalho.

Aliás, no caso, a diversidade já começa pela própria multiplicidade das áreas de atuação dessas organizações – que, entre outras, abrangem instituições financeiras, indústrias, empresas prestadoras de serviço, seguradoras, entidades de classe, associações filantrópicas, laboratórios e até uma paróquia religiosa e uma escola estadual.

As organizações que receberam o selo não foram escolhidas a esmo. Atuaram de modo proativo, pois a iniciativa de requisitar o selo é voluntária, cabendo a cada um dos interessados. Além disso, elas submeteram seus planos e ações ao Comitê Gestor do programa, que procedeu a um exame rigoroso das práticas previstas ou implantadas.

O selo tem ainda outra grande virtude. É que ele envolve um processo permanente de avaliação, pois que, após 12 meses da concessão, deve ser renovado, inclusive com a possibilidade de passar para uma categoria mais alta, que é a do Selo Paulista de Diversidade – Pleno.

Tive a satisfação e a honra de integrar o governo Montoro, um dos mais democráticos e competentes da nossa história. E de participar, então, da criação de conselhos com foco nas pessoas com deficiência, na comunidade negra e nas mulheres, entre outros.

A percepção da relevância dessas instâncias voltadas à diversidade levaram-me a criar a Secretaria Especial de Participação e Parceria, quando estive à frente da Prefeitura de São Paulo; depois, no governo do Estado, a implantar a Secretaria de Relações Institucionais, que hoje abriga aqueles conselhos e coordena o Selo Paulista de Diversidade.

Cabe incluir, também, entre essas ações, a criação da Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência, que promove políticas específicas e cursos de capacitação profissional para esse segmento da população; e o Ambulatório de Saúde Integral de Travestis e Transexuais, na Vila Mariana, uma iniciativa absolutamente pioneira no Brasil.

Por tudo o que foi dito, este Selo Paulista da Diversidade tem muitas qualidades. Cito entre as principais:
- combater preconceitos;
- ampliar o mercado de trabalho para segmentos da população ainda discriminados;
- propiciar ao consumidor responsável a medida da responsabilidade social das organizações das quais ele adquire bens e serviços;
- oferecer, por fim – mas também para o começo... – um ótimo exemplo a ser seguido por toda a sociedade.

Parabéns aos outorgados, à Secretaria de Relações Institucionais. A todos, muito obrigado.