sábado, 1 de maio de 2010

Discurso aos evangélicos

José Serra

Discurso aos evangélicos Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú, Santa Catarina, em 1º/05/2010

Conforme Jesus ensinou, quando você entra numa casa, numa cidade, deve saudar a todos e a todas com a paz do Senhor.

Vou começar fazendo uma citação – de Lucas – que tem muito a ver com essa organização de missionários. No Capítulo 10 Versículo I, Lucas nos diz: “Depois disso, o senhor designou outros 70, e os enviou, de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar onde ele estava falando, e lhes fez a seguinte advertência: ‘A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara’.

É interessante lembrar essas palavras de Jesus, porque, no Brasil, o impulso fundamental para esta ação de missionários foi dada em dois: duas pessoas que chegaram da Suécia a Belém do Pará, em 1910. Era o ideal dos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren. Chegaram a Belém em 19 de novembro de 1910. E Santa Catarina fez história no evangelismo nacional, porque em 1923, um deles, missionário Gunnar Vingren, teve informações, lá em Belém, de que em aqui havia o movimento pentecostal em andamento. Foram dois que vieram ao Brasil, como os pregadores de Cristo. Ele veio aqui para o Sul e, ao chegar, encontrou o trabalho iniciado pelo Pastor André Bernardino da Silva, pioneiro da Assembléia de Deus em Santa Catarina. E o que vejo hoje desse congresso, liderado pelo Pastor Cesino, é a preocupação em fazer missionários para a evangelização no Brasil e no mundo. Eu sei que o trabalho é extraordinário não só no campo espiritual; também é no relevante serviço na área social que os Gideões têm prestado.

Quando no governo de São Paulo, sancionei o Projeto de Lei aprovado na Assembléia Legislativa, que instituiu o Dia dos Gideões Missionários de Última Hora do Estado de São Paulo. Mais ainda, Pastor Cesino: instituímos também em São Paulo o 2 de setembro como o dia da Expocristã, da literatura do Evangelho, que é vasta no nosso país. Faz parte do calendário oficial do Estado de São Paulo, e eu decidi isso depois de visitar essa feira em 2007, e me dei conta da enorme importância que tem para a leitura do nosso povo a ação dos evangélicos. É por meio da leitura da Bíblia que todos os fiéis se aproximam de uma igreja evangélica.

Num tempo em que os governos, as ações, lutam contra a pobreza, a violência, o terrorismo, os problemas sociais em geral, vocês estão aqui trabalhando para um mundo melhor, para que haja paz entre os povos. Que Deus abençoe todos e todas que hoje estão nesse grande congresso. Trabalhando juntos, nós vamos fazer do Brasil uma das principais nações do mundo. Vamos fazer do Brasil um país de todos e de todas.

Lembro-me de uma outra citação de Cristo, agora de João, que diz: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir. Eu vim de Jesus para que tenham vida e tenham essa vida em abundância”. O que significa isso? Que não se trata, apenas, de prolongar a vida por meio das nossas ações. Trata-se de ter qualidade de vida. Isso é fundamental. É preciso viver, e é preciso viver bem e cada vez melhor. Essa é uma mensagem de Jesus Cristo. E o trabalho que os missionários fazem está voltado a essa direção: para as crianças, para os idosos, para todas as pessoas, para que não tenham só assistência médica na doença, mas que vivam melhor. Este para mim sempre foi um princípio de vida, na vida privada e na vida pública.

Lembro quando fui ministro da Saúde, ou agora como governador de São Paulo: nós combatemos o tabagismo, o cigarro. Por quê? Porque faz mal à saúde. Mas eu dizia: 'Não é apenas para prolongar a vida das pessoas, é para que tenham uma melhor qualidade de vida'. Porque aquele que fuma, quando fica doente por causa disso, fica, às vezes, anos com problemas de saúde, inclusive problemas de paralisia, não pode andar, sofre com doenças do pulmão. Ou seja, vive, mas vive mal.

Da mesma maneira, nós fizemos muitas outras coisas nos setores desamparados. É o caso de pessoas com algum tipo de deficiência física. São mais de 20 milhões no nosso país. Pois nós criamos uma rede de reabilitação. Para quê? Para que a pessoa com deficiência possa ser mais cidadão ou mais cidadã. Ela está vivendo, mas, muitas vezes, encostada. Por quê? Porque não consegue se inserir na sociedade. Então nós fizemos um trabalho que nunca foi feito, de auxílio de reabilitação do deficiente, que ele tenha acesso aos equipamentos públicos e aprenda a viver com a deficiência que tem – e que não é capaz de esconder todas as capacidades que ele também carrega consigo.

Fiz o mesmo tirando o seguro-desemprego do papel para ajudar os desempregados. Fizemos os medicamentos genéricos, para ter remédios mais baratos e seguros para a população. Enfim, digo que até eu me beneficio, porque estou gripado, e também posso me vacinar gratuitamente, porque temos produção da vacina da gripe no Brasil, que passou a ser de graça para aqueles que têm mais de 60 anos. Aqui, provavelmente, só eu, não é, pastor, é que posso tomar a vacina de graça. Nenhuma mulher, com muita exceção, pode, é provável que só eu a tome... (risos) Mas estas são ações que para mim mostram a essência do que deve ser o trabalho na vida pública, que é servir ao próximo, é buscar a nossa felicidade proporcionando felicidade às outras pessoas.

E essa é a essência do trabalho dos Gideões. Daí o nosso encontro, daí a nossa identidade, daí o fato de que eu aqui venho para procurar inspiração e ganhar energia para essa batalha – convencido de que nós vamos fazer mais, de que podemos fazer mais e melhor para essas pessoas que mais precisam.

Eu lembro agora que Salomão, no dia em que chegou a rei, narrou um sonho. Conversou com Deus no sonho. E Deus lhe disse: ‘O que você quer? Tudo o que você quiser eu te darei”. Ele disse: “Eu só quero uma coisa: sabedoria’. Sabedoria. E Deus disse: ‘Você não quer riqueza, você não quer prestígio, você não quer matar os seus inimigos, você quer sabedoria, e isso você terá’.

E o que eu queria pedir a todos e a todas aqui é que orem, rezem a Deus por mim, no sentido de que ele me dê mais sabedoria para enfrentar a batalha e as lutas que nós temos por diante, voltadas para o progresso do nosso país. Voltadas aos mais necessitados, voltadas à solidariedade. Por isso, eu me permito pedir que orem por mim para que Deus me dê mais sabedoria. Muito obrigado!